O Modelo 22 é a declaração anual onde apuramos o IRC final do exercício, transformando o resultado contabilístico num resultado fiscal. Em 2026, para a maioria das empresas, estamos a falar do exercício de 2025.
O prazo de entrega depende da data de encerramento do exercício, mas o princípio é sempre o mesmo: só se entrega com segurança quando o fecho de contas está fechado de verdade, com reconciliações concluídas, impostos conferidos e rubricas sensíveis validadas.
É aqui que muitos negócios perdem dinheiro sem perceberem, porque um Modelo 22 mal preparado pode levar a pagar imposto a mais, a gerar correções e a aumentar a probabilidade de pedidos de esclarecimento.
O que é o Modelo 22 na prática
O Modelo 22 consolida, num único apuramento, estes pontos:
- Resultado contabilístico do exercício
- Ajustamentos fiscais, incluindo correções a gastos não aceites ou parcialmente aceites
- Benefícios fiscais e respetivos limites quando aplicável
- Prejuízos fiscais, com controlo de regras e utilização
- Cálculo do IRC, derramas e tributações autónomas quando existirem
- Acertos com retenções na fonte, pagamentos por conta e outras entregas antecipadas
Se um destes blocos está errado, a empresa pode acabar a pagar mais ou a ter inconsistências que geram ruído.
Prazos em 2026 e como não falhar por falta de preparação
O prazo do Modelo 22 varia conforme o fecho do exercício. O erro mais comum é tratar a declaração como um evento isolado. O que fazemos com clientes é gerir isto como um mini projeto:
- Fechamos a contabilidade com reconciliações bancárias e de caixa concluídas
- Conferimos IVA, retenções e contas de impostos antes do apuramento anual
- Revemos rubricas de risco, com base em critérios objetivos e documentação mínima
- Só depois validamos o Modelo 22 e simulamos o imposto para detetar desvios
Esta sequência reduz correções e evita pagar imposto por erro de classificação.
Erros que mais aumentam imposto ou criam risco, e que vemos com frequência
- Gastos sem suporte ou mal classificados: Despesas lançadas em rubricas genéricas, sem descrição suficiente ou sem documento consistente, tendem a gerar ajustamentos. Na prática, o imposto sobe porque o gasto deixa de ser aceite fiscalmente, total ou parcialmente.
- Viaturas e despesas mistas sem regra interna: Misturar despesas de viaturas, combustíveis, portagens e outros custos sem critérios claros aumenta tributações autónomas e cria risco de correção. O problema não é a existência da despesa, é a falta de política e evidência.
- Tributações autónomas ignoradas ao longo do ano: Muitas empresas focam-se no lucro e esquecem que determinadas despesas podem gerar imposto mesmo em cenários de resultado baixo. Quando isto só é visto no fecho, o valor final surpreende.
- Amortizações e ativos fixos desatualizados: Mapa de ativos incompleto, vidas úteis incoerentes, abates não registados e classificações erradas distorcem o resultado fiscal e geram ajustamentos.
- Prejuízos fiscais sem controlo: Não mapear prejuízos, não acompanhar utilização e não validar limites pode significar perder benefício e pagar mais. O oposto também é perigoso, usar sem base e gerar inconsistência.
- Derramas calculadas com base errada: Quando a base tributável está mal apurada, a derrama pode ficar inflacionada ou subavaliada, e isso traz correção e risco.
Checklist rápida do que a empresa deve preparar antes do Modelo 22
- Reconciliações bancárias completas e saldos finais confirmados
- Contas de caixa e contas transitórias justificadas
- Contas correntes de clientes e fornecedores conferidas, com saldos antigos tratados
- Acréscimos e diferimentos revistos para corte correto do exercício
- Mapa de ativos e amortizações atualizado
- Conferência de IVA e retenções alinhadas com contabilidade
- Separação e revisão de rubricas de risco, com documentação mínima organizada
Se quiserem, a equipa da CRN Contabilidade pode analisar o vosso caso, validar o fecho e preparar o Modelo 22 com foco em coerência, redução de risco e otimização dentro das regras. Podem falar connosco através do WhatsApp flutuante e dos canais de contacto no site.
Como reduzir risco no Modelo 22, pagar apenas o devido e evitar correções em 2026
Quando a empresa sente que o Modelo 22 é um momento de tensão, quase sempre há uma causa prática: o apuramento do IRC está a ser feito com base em informação que ainda não foi testada com controlos simples. Na nossa experiência, o que separa uma entrega tranquila de uma entrega com correções não é “saber preencher”. É ter um método de validação fiscal que transforme a contabilidade do ano num apuramento coerente, defensável e consistente com a operação.
O que muda quando tratamos o Modelo 22 como um processo e não como um formulário
Há três mudanças imediatas quando o apuramento é feito com método.
- A primeira é a previsibilidade. A empresa passa a saber, com antecedência, se vai pagar IRC, quanto e porquê.
- A segunda é a redução de retrabalho. Quando controlamos as rubricas críticas antes de fechar o apuramento, evitamos retificações que obrigam a mexer em lançamentos, mapas e reconciliações já consolidadas.
- A terceira é a defesa. Se houver pedido de esclarecimento, o apuramento responde sozinho, porque existe coerência entre números e documentação.
O roteiro prático que usamos para validar o Modelo 22 antes de submeter
A seguir está um roteiro que aplicamos com clientes, organizado por blocos. É um caminho curto, mas completo. O foco é identificar o que aumenta imposto, o que aumenta risco e o que pode ser otimizado dentro das regras.
Bloco 1: confirmar que o resultado contabilístico faz sentido
Antes de qualquer ajuste fiscal, precisamos de garantir que o resultado contabilístico é credível.
Bullets de validação rápida
- Comparar margem e custo com o ano anterior e com o padrão do setor da empresa
- Identificar variações relevantes e criar uma explicação operacional curta para cada uma
- Rever rubricas agregadas e garantir que não escondem lançamentos sensíveis
- Confirmar que o corte do exercício foi respeitado em vendas, serviços e custos relevantes
O que procuramos aqui não é perfeição. É consistência. Um resultado que “muda demasiado” sem motivo costuma gerar correções posteriores, ou obriga a justificações que consomem tempo.
Bloco 2: mapear rubricas que geram ajustamentos fiscais com frequência
Na prática, o imposto sobe por duas razões. Ou o lucro fiscal é maior do que a empresa imagina, ou surgem tributações autónomas que não estavam a ser acompanhadas. Para evitar isto, fazemos um mapa de rubricas com propensão para ajustamento.
Rubricas de risco recorrente
- Viaturas e despesas associadas
- Despesas de representação e despesas com componente pessoal
- Gastos com documentação frágil, como faturas com descrição insuficiente
- Telecomunicações e despesas mistas em geral
- Donativos, patrocínios e ações promocionais sem enquadramento claro
- Benefícios a colaboradores e despesas com políticas internas pouco definidas
- Serviços externos com contratos pouco claros ou sem evidência de entrega
- Amortizações, obras, software e investimentos que exigem classificação correta
Nesta fase, o objetivo é separar o que é gasto normal do que exige prova reforçada ou tratamento fiscal específico.
Bloco 3: calcular tributações autónomas antes de fechar o imposto
Se há um ponto que apanha empresas desprevenidas, é este. Há despesas que podem gerar imposto mesmo quando a empresa tem lucro baixo, ou até quando tem prejuízo. Por isso, é fundamental calcular tributações autónomas antes de fechar o apuramento global.
Como controlamos este risco
- Criamos um mapa interno das despesas que originam tributações autónomas
- Validamos se há rubricas mal classificadas que estão a fugir ao controlo
- Simulamos o impacto no imposto final para evitar surpresas
Quando este mapa existe, a empresa ganha controlo. Quando não existe, o Modelo 22 vira um susto.
Bloco 4: validar amortizações e ativos fixos com uma revisão objetiva
Ativos fixos não falham apenas por erro de cálculo. Falham por classificação errada entre reparação e melhoria, por entradas não registadas, por abates ignorados e por vidas úteis incoerentes.
Checklist de revisão que reduz erros
- Confirmar se compras relevantes foram classificadas como ativo quando deviam
- Rever obras e melhorias que foram lançadas como gasto
- Validar mapa de amortizações, entradas e abates do ano
- Confirmar coerência entre investimento e capacidade operacional
Mesmo empresas pequenas acumulam erros aqui, porque a operação compra, instala, melhora, substitui, e o registo contabilístico nem sempre acompanha.
Bloco 5: rever prejuízos fiscais e limites com disciplina
Há dois erros opostos e ambos custam dinheiro.
O primeiro é não usar prejuízos fiscais quando se podia. O segundo é tentar usar sem mapa e sem validação de limites, o que cria risco de correção.
O que fazemos para controlar
- Mapa de prejuízos fiscais por ano, com saldo disponível e utilização anterior
- Simulação de utilização no ano corrente, com impacto no imposto
- Verificação de eventos societários e mudanças relevantes que possam afetar a utilização
Aqui a regra é simples: sem mapa, a empresa perde benefício ou aumenta risco.
Bloco 6: derramas e base tributável sem improviso
Derramas são um tema que muitas empresas só lembram no fim. O problema é que um erro de base pode gerar pagamento indevido ou correções.
O controlo que aplicamos
- Confirmar lucro tributável final antes de calcular derramas
- Validar enquadramento territorial e critérios aplicáveis à empresa
- Rever se há ajustes que alteram a base e que ainda não estavam refletidos
Tabela de controlo de qualidade do apuramento do IRC
| Etapa | Pergunta de controlo | Erro típico | Consequência |
|---|---|---|---|
| Resultado | O resultado explica o ano da empresa | Variações sem explicação | Pedidos de esclarecimento |
| Corte | O que é do ano ficou no ano | Faturas e custos no período errado | Ajustes e correções |
| Rubricas | Há rubricas agregadas demais | Gastos sensíveis escondidos | Ajustamentos fiscais |
| Viaturas e mistas | Há política e prova mínima | Mistura de uso pessoal e empresarial | Imposto mais alto e risco |
| Tributações autónomas | O mapa está completo | Só se calcula no fim | Surpresa no imposto final |
| Ativos | Mapa e amortizações atualizados | Classificação errada e abates ignorados | Distorção do lucro fiscal |
| Prejuízos fiscais | Há mapa e limites validados | Perda de benefício ou uso indevido | IRC mais alto ou correção |
| Derramas | Base correta e coerente | Cálculo sobre base errada | Pagamento indevido ou risco |
O que mais provoca inspeção, na prática, e como prevenimos com evidência mínima
Não existe uma lista mágica de “motivos de inspeção”, mas existem padrões que aumentam a probabilidade de a empresa ter de explicar números. Na nossa experiência, o risco cresce quando há incongruência entre narrativa e números, ou quando a empresa não consegue justificar rubricas sensíveis.
Padrões que exigem atenção
- Margens muito fora do normal sem explicação operacional
- Aumento acentuado de gastos em categorias genéricas
- Muitos lançamentos com descrições vagas e documentação dispersa
- Repetição de correções e retificações em vários anos
- Saldos antigos em contas transitórias e adiantamentos sem justificação
- Divergências entre faturação, IVA e registo contabilístico
Como prevenimos com um dossier simples
Em vez de acumular papel, criamos um dossier anual curto com foco nas rubricas que realmente interessam para defesa.
Estrutura recomendada do dossier mínimo
- Resumo do exercício com 5 a 10 linhas sobre o que mudou no negócio
- Tabela de variações relevantes, com justificação operacional
- Mapas de suporte para viaturas e despesas mistas, quando aplicável
- Mapa de tributações autónomas com ligação às rubricas contabilísticas
- Mapa de ativos e amortizações com movimentos do ano
- Mapa de prejuízos fiscais com saldo e utilização
- Pasta digital de documentos críticos, por rubrica e por mês
Este dossier reduz risco porque transforma explicações em algo replicável e verificável.
Custos em 2026: o que a empresa paga de verdade quando não prepara o Modelo 22
O custo mais visível é o imposto. Mas o custo que dói é o custo de não controlar o apuramento.
Custos que vemos com frequência quando há falta de preparação
- Imposto pago a mais por classificação errada de gastos ou por benefícios perdidos
- Coimas e custos de correção por submissões com falhas
- Horas internas gastas a procurar documentos em cima do prazo
- Decisões de gestão travadas porque não há confiança no resultado
- Desgaste na relação com banca e parceiros quando há inconsistências nos números
Quando a empresa fecha com método, reduzimos estes custos sem inventar nada. Apenas aplicamos regras, limites e evidência mínima.
Boas práticas que melhoram o resultado fiscal sem aumentar risco
Aqui estão práticas que costumam ter impacto real, sobretudo em empresas em crescimento ou com operações mais complexas.
Fecho fiscal distribuído ao longo do ano
Quando fazemos pequenos fechos trimestrais, o Modelo 22 deixa de ser um choque no fim.
Rotinas simples que recomendamos
- Mensal: reconciliação bancária e revisão de rubricas agregadas
- Trimestral: mapa de tributações autónomas, viaturas, despesas mistas e margem
- Semestral: revisão de ativos, amortizações e saldos antigos de contas correntes
Políticas internas curtas para rubricas críticas
Muitos problemas de imposto nascem da ausência de regras internas básicas.
Políticas que reduzem risco
- Política de viaturas e despesas associadas
- Política de despesas de representação e eventos
- Política de arquivo digital e documentação mínima por rubrica
- Política de benefícios a colaboradores com critérios claros
Quando estas políticas existem, a contabilidade fica mais limpa e o apuramento fiscal fica mais previsível.
Simulações antes do fecho final
Uma simulação simples, feita cedo, evita decisões tardias e evita pagar imposto por surpresa.
O que simulamos normalmente
- Resultado fiscal provável antes de ajustes finais
- Impacto das tributações autónomas no imposto total
- Utilização de prejuízos fiscais e respetivo benefício
- Cenários com pequenas correções de classificação em rubricas sensíveis
Considerações finais
Se quiserem, na CRN Contabilidade revemos o vosso fecho e o apuramento do Modelo 22, com foco em três coisas: coerência, redução de risco e otimização dentro das regras.
Fale connosco através do WhatsApp flutuante e dos canais de contacto no site crncontabilidade.pt, e indicam-nos o vosso tipo de atividade, a data de fecho do exercício e os pontos que mais vos preocupam.



