Submeter a IES/DA é um dos momentos mais críticos do calendário fiscal em Portugal. Enquanto contabilistas, sabemos que este processo exige atenção máxima aos detalhes, validações técnicas rigorosas e uma preparação prévia eficiente para evitar erros que possam comprometer o cumprimento das obrigações legais.
A IES, ou Informação Empresarial Simplificada, reúne diversas declarações numa só entrega obrigatória, incluindo a Declaração Anual de Informação Contabilística e Fiscal (DA), o Anexo A, Anexo I, Anexo Q, entre outros. Esta obrigação aplica-se a empresas com contabilidade organizada, profissionais liberais em certos regimes e sociedades comerciais que exerçam atividade económica em território português.
Se não prepararmos adequadamente os documentos, a submissão poderá gerar erros que impedem a entrega, resultam em coimas ou, pior, levantam problemas em futuras inspeções fiscais.
Na prática, o segredo está em saber o que devemos reunir, quais validações fazer antes de submeter e que erros evitar para não perder tempo com correções posteriores.
O que devemos preparar antes de submeter a IES/DA em 2026
1. Relatórios contabilísticos e fiscais finais
Antes de pensarmos em submeter, é essencial garantir que todos os documentos finais estão fechados e revistos. São eles:
- Balancete final e balancete analítico
- Demonstração de resultados por natureza
- Balanço patrimonial com datas e rubricas finais
- Mapas de amortizações e provisões
- Apuramento de resultados fiscais ajustado
- Declaração Modelo 22 submetida e validada
2. Documentos obrigatórios por tipo de entidade
| Tipo de contribuinte | Documentos obrigatórios |
|---|---|
| Empresa com contabilidade organizada | Balancete, DRN, DRF, Balanço, Modelo 22 |
| Sociedade unipessoal por quotas | Ata de aprovação de contas, DRF, Anexo A ou I |
| Profissionais liberais no regime simplificado | Declaração de início, DRF, rendimentos totais |
| Entidades do sector não lucrativo | Anexo Q, relatório de atividades, inventário |
Cada tipo de entidade está sujeito a diferentes anexos da IES. Saber qual é o aplicável evita erros graves na submissão.
3. Validações técnicas antes da submissão
Submeter a IES não é apenas exportar um ficheiro. Devemos validar os seguintes pontos antes:
- Validação do ficheiro SAF-T (PT) com estrutura correta
- Concordância entre o Modelo 22 e a IES no apuramento do lucro tributável
- Coerência entre os anexos da contabilidade e os mapas fiscais
- Verificação de campos obrigatórios preenchidos
- Testes de submissão no validador oficial da AT
- Correção de erros e alertas indicados pelo validador
Fazemos questão de verificar todos estes itens com os nossos clientes para garantir que nada impede a submissão no prazo legal.
4. Cuidado com datas, prazos e coimas
| Ato | Prazo limite 2026 | Penalizações por incumprimento |
|---|---|---|
| Submissão da IES/DA | Até 15 de julho | Coimas entre 200 € e 2.500 € |
| Validação prévia do SAF-T | Até 30 de junho | Impede submissão se estiver com erros |
| Aprovação das contas em assembleia | Até 31 de maio | Obrigatório para sociedades comerciais |
Submeter fora do prazo, ou com erros, pode resultar em coimas elevadas e obrigações adicionais de correção junto da AT.
Na CRN Contabilidade, já acompanhámos dezenas de empresas com problemas sérios por erros simples na IES. Erros que poderiam ter sido evitados com revisão técnica atempada, validação cruzada dos dados fiscais e organização documental desde o fecho do exercício anterior.
Se quiser garantir que a sua IES será submetida sem falhas em 2026, fale com a nossa equipa especializada. O nosso WhatsApp flutuante está disponível no site para apoio imediato.
Erros mais comuns que impedem a submissão da IES e como evitá-los
Ao longo dos anos, observámos um padrão entre os erros que mais frequentemente atrasam ou invalidam a entrega da IES. A maioria está relacionada com inconsistências entre o ficheiro SAF-T, a contabilidade oficial e a declaração Modelo 22. Quando esses dados não estão alinhados, a Autoridade Tributária rejeita automaticamente a submissão ou emite alertas que exigem correções urgentes.
Outro erro recorrente é a seleção incorreta dos anexos da IES. Muitos responsáveis por pequenas empresas ou profissionais em início de atividade acabam por incluir o Anexo A quando, na verdade, deveriam utilizar o Anexo I. Essa simples troca, se não identificada, compromete toda a declaração e pode originar coimas mesmo após submissão aparentemente bem-sucedida.
Erros na estrutura do ficheiro SAF-T, como campos obrigatórios em branco ou dados financeiros incoerentes com os mapas oficiais, são também causas frequentes de rejeição. Por essa razão, o ficheiro deve ser sempre validado por software especializado antes de ser submetido. É preferível detetar os erros internamente do que corrigi-los com prazos apertados em cima do limite legal.
Diferença entre Anexo A, Anexo I e Anexo Q na IES/DA
Saber qual o anexo correto a incluir na IES é essencial para garantir o cumprimento da obrigação declarativa. Cada anexo corresponde a um tipo de sujeito passivo, e qualquer confusão pode invalidar os dados entregues.
- Anexo A é utilizado por empresas com contabilidade organizada sujeitas a IRC.
- Anexo I é aplicável a entidades isentas de IRC ou em regime simplificado.
- Anexo Q destina-se a entidades do sector não lucrativo com obrigações contabilísticas próprias.
As diferenças entre os anexos não se limitam ao enquadramento. Cada um possui campos distintos, obrigatoriedades diferentes e validações automáticas específicas. Quando recebemos um novo cliente, um dos nossos primeiros passos é analisar com precisão qual o anexo mais adequado à sua estrutura fiscal.
Submeti a IES com erro. Posso corrigir?
Sim, é possível corrigir a IES após submissão, mas o processo depende da fase em que o erro é identificado. Se a submissão for recusada pela AT, basta corrigir o ficheiro e reenviar. Contudo, se a declaração já foi aceite e integrada no sistema, qualquer alteração exigirá uma substituição formal, com fundamentação técnica do motivo do erro.
Em casos mais complexos, como erros no lucro tributável ou omissão de informação obrigatória, a correção pode implicar a retificação da Modelo 22 e subsequente atualização da IES. Nestes cenários, o tempo de resposta da AT é superior, e podem ser exigidos documentos adicionais para justificar a retificação.
A nossa equipa acompanha este tipo de processos com frequência e tem experiência em lidar com declarações substitutivas, reduzindo o risco de penalizações adicionais por erro não intencional.
Checklist técnica para garantir uma IES sem falhas
Antes de submeter, recomendamos verificar os seguintes pontos com rigor:
- O balancete final corresponde aos valores transmitidos no SAF-T
- A Modelo 22 foi entregue e coincide com os valores da IES
- O anexo correto foi selecionado de acordo com o enquadramento da entidade
- Todos os campos obrigatórios estão preenchidos
- Não existem diferenças entre o lucro contabilístico e o lucro tributável sem justificação
- O ficheiro SAF-T foi validado e aprovado pelo validador da AT
- As contas foram aprovadas em assembleia geral (se aplicável)
Este checklist é aplicado internamente por nós sempre que preparamos a entrega da IES para os nossos clientes. Ele reduz drasticamente o risco de erro e permite que o processo decorra sem atrasos ou surpresas.
Curiosidades e mudanças para 2026 que exigem atenção
Em 2026, algumas alterações introduzidas nos formulários digitais da IES exigem atenção redobrada por parte dos contabilistas. Houve atualização de códigos de atividade económica, campos relacionados com benefícios fiscais e novos cruzamentos automáticos com a declaração periódica de IVA em certos setores.
Além disso, a AT passou a cruzar com maior rigor os dados da IES com os sistemas de faturação certificados, especialmente no que se refere ao volume de negócios e à composição das receitas. Isso significa que qualquer incoerência entre os dados declarados e os valores reais emitidos em fatura pode levantar alertas automáticos que exigem resposta.
Para além disso, a plataforma de submissão da IES foi ajustada com novas mensagens de erro mais específicas, o que exige domínio técnico sobre a estrutura do ficheiro SAF-T e o seu correto preenchimento.
A IES não é só uma obrigação fiscal. É também uma ferramenta de controlo interno
Submeter corretamente a IES significa muito mais do que evitar coimas. Trata-se de uma forma eficaz de garantir que a contabilidade da empresa está coerente, os impostos apurados foram corretamente calculados e a imagem fiscal da empresa está alinhada com as exigências legais.
Para investidores, bancos e potenciais parceiros comerciais, a IES é uma fonte de informação credível e oficial. Por isso, recomendamos que cada empresa, independentemente da sua dimensão, trate a preparação desta obrigação com o máximo rigor técnico e planeamento adequado.
Na prática, já ajudámos empresas que descobriram falhas internas de controlo apenas durante a validação da IES. Ao identificar inconsistências nos mapas, conseguimos corrigir registos, ajustar provisões e prevenir autuações futuras.
Como a CRN Contabilidade pode ajudar
A nossa equipa está especializada na preparação e submissão da IES para empresas de diferentes setores, incluindo comércio, serviços, tecnologia e setor social. Aplicamos um processo estruturado, com verificação multi-nível, revisão de todos os documentos e integração dos dados entre contabilidade e fiscalidade.
Oferecemos:
- Revisão técnica completa antes da submissão
- Validação do SAF-T com software certificado
- Apoio na seleção correta dos anexos
- Submissão dentro do prazo com comprovativo formal
- Gestão de IES substitutiva em caso de erro
- Acompanhamento de notificações da AT pós-submissão
Se deseja evitar erros na sua IES ou precisa de apoio profissional para garantir o envio seguro em 2026, entre em contacto connosco através do WhatsApp flutuante no site da CRN Contabilidade. Estamos prontos para ajudar com rigor, experiência e foco total na conformidade.




