Prazos e formas legais de entrega do recibo de vencimento

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Prazos e formas legais de entrega do recibo de vencimento

A legislação laboral portuguesa exige que o recibo de vencimento seja entregue ao trabalhador no momento exato em que é efetuado o pagamento do salário ou imediatamente após o mesmo. Esta obrigação está prevista no Código do Trabalho e aplica-se a todos os empregadores, independentemente do número de trabalhadores, forma contratual ou setor de atividade.

O recibo deve ser entregue mensalmente, mesmo em situações em que não haja pagamento, como licenças não remuneradas, faltas justificadas prolongadas ou suspensão do contrato.

Além de cumprir o prazo, o empregador deve também garantir que o documento seja disponibilizado de forma segura, acessível e legalmente válida. A entrega pode ser feita em papel (impresso e assinado) ou por meios eletrónicos.

No caso do envio digital, é obrigatório que o trabalhador tenha acesso garantido ao documento, podendo consultá-lo, arquivá-lo e imprimi-lo. Soluções como envio por email com confirmação de leitura, plataforma com autenticação (por exemplo, software de processamento salarial) ou portal interno com registo de acesso são aceites como válidas perante a lei.

A simples disponibilização do ficheiro PDF num link temporário, ou o envio por email sem confirmação de receção, pode não cumprir os requisitos legais de entrega formal.

O trabalhador deve consentir o formato eletrónico, e o empregador deve conseguir provar que a entrega ocorreu,  sob pena de incorrer em infração laboral grave.

O recibo de vencimento não é apenas um comprovativo informal. Trata-se de um documento obrigatório com valor legal que detalha:

  • A remuneração bruta e líquida
  • Os descontos para a Segurança Social e IRS
  • O número de horas ou dias trabalhados
  • Faltas, subsídios e outras remunerações acessórias
  • O período de referência a que o pagamento diz respeito

Empregadores que falham na entrega dos recibos dentro dos prazos legais, ou que não garantem a forma adequada, podem ser alvo de coimas pesadas aplicadas pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que considera esta omissão uma contraordenação grave. Os valores das coimas variam de acordo com a dimensão da empresa e o número de trabalhadores afetados, podendo ir de 612 euros até 9.690 euros por infração.

Além da penalização administrativa, o incumprimento sistemático pode levar à perda de confiança dos trabalhadores, dificultar auditorias fiscais e até inviabilizar a obtenção de financiamentos ou benefícios fiscais que exijam prova de regularidade laboral.

Outro ponto crítico é a validade jurídica do documento: em caso de conflito judicial, o trabalhador pode usar o recibo como prova de pagamento ou, em sentido inverso, a sua ausência como indício de incumprimento contratual. Empresas que apenas pagam sem formalizar o recibo correm riscos significativos, tanto do ponto de vista laboral como fiscal.

Na prática, muitas empresas continuam a adotar modelos informais ou ultrapassados de entrega, como recibos manuais não assinados ou cópias impressas sem registo. Outras ainda não formalizaram corretamente o processo digital, o que expõe o empregador em caso de fiscalização ou litígio.

Reforçamos que a entrega atempada e válida dos recibos de vencimento é tão importante quanto o próprio pagamento do salário. E hoje, com ferramentas simples e acessíveis, é possível automatizar todo o processo de forma legal e segura, evitando falhas ou riscos futuros.

Se está com dúvidas sobre como deve ser feita a entrega dos recibos na sua empresa, se precisa digitalizar o processo ou rever a validade legal do sistema que já utiliza, fale connosco. A nossa equipa na CRN Contabilidade está preparada para analisar a sua realidade e implementar soluções 100% em conformidade com a lei.

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Passo a passo para entregar recibos de vencimento de forma legal e segura

A correta entrega dos recibos de vencimento vai muito além da simples emissão do documento. Envolve processos internos, validação jurídica, meios de prova e conformidade com prazos específicos. A seguir, explicamos como as empresas devem atuar em cada fase, passo a passo.

Passo 1: Garantir a emissão mensal do recibo

Independentemente de haver ou não pagamento efetivo, o recibo deve ser emitido todos os meses. Mesmo em situações como baixa médica, licença parental ou ausência sem vencimento, é necessário emitir o recibo correspondente ao valor processado (mesmo que nulo) com indicação clara do motivo.

Passo 2: Validar o conteúdo obrigatório do recibo

O recibo deve conter:

  • Identificação da entidade empregadora
  • Nome e NIF do trabalhador
  • Mês de referência da remuneração
  • Valor da remuneração base
  • Valor dos subsídios (férias, Natal, alimentação, transporte, etc.)
  • Horas extraordinárias ou complementares
  • Descontos obrigatórios (Segurança Social, IRS)
  • Valor líquido a receber
  • Data de pagamento
  • Forma de pagamento utilizada

Todos os valores devem estar discriminados com clareza, sem omissões ou agrupamentos genéricos.

Passo 3: Escolher o meio de entrega conforme a lei

A entrega do recibo pode ser feita por:

  • Documento impresso com assinatura e entrega física em mãos
  • Formato digital com sistema autenticado, por exemplo:
    • Plataforma de RH com login individual
    • PDF assinado enviado por email com comprovativo de leitura
    • Acesso através de software de processamento salarial (com logs de acesso)

O meio escolhido deve permitir acesso seguro e arquivo duradouro, além de registo de entrega, sempre que possível.

Passo 4: Obter o consentimento do trabalhador para entrega eletrónica

A legislação permite o envio digital, mas este deve ser previamente aceite pelo trabalhador. O ideal é formalizar esse consentimento por escrito, inserido no contrato de trabalho, no regulamento interno ou num termo de adesão ao processo digital de gestão de salários.

Passo 5: Arquivar os recibos por no mínimo 5 anos

O empregador deve manter os recibos arquivados por um período de 5 anos, podendo este prazo ser superior caso estejam relacionados com processos judiciais ou auditorias. Tanto recibos físicos quanto digitais devem estar acessíveis para eventuais inspeções da ACT ou da Autoridade Tributária.

Tabela comparativa: formatos legais de entrega do recibo

Formato de entrega É legalmente válido? Exige consentimento do trabalhador? Permite prova de entrega?
Papel impresso Sim Não Sim
Email com PDF simples Depende Sim Não
Email com comprovativo Sim Sim Sim
Plataforma autenticada Sim Sim Sim
WhatsApp ou SMS Não recomendado Não Não
Link temporário Não Não Não

Quais as penalizações aplicáveis por incumprimento?

O empregador que não entregue o recibo de vencimento de forma válida e dentro do prazo está sujeito a:

  • Contraordenação grave
  • Coimas entre 612 euros e 9.690 euros por trabalhador
  • Regularização retroativa obrigatória
  • Possibilidade de sanções acessórias em caso de reincidência
  • Agravamento da responsabilidade em processos trabalhistas

A Autoridade para as Condições do Trabalho pode fiscalizar de forma presencial ou remota, especialmente em empresas sinalizadas por denúncias ou inconformidades anteriores.

Empresas dispensadas da entrega de recibos? Não existem

Não há exceções quanto à obrigatoriedade da entrega do recibo. Mesmo microempresas, entidades familiares, associações sem fins lucrativos e empresas sem contabilidade organizada devem emitir e entregar os recibos de vencimento corretamente. A responsabilidade recai sempre sobre o empregador, e não há regime simplificado para esta obrigação.

O recibo de vencimento digital substitui o papel?

Sim, desde que respeite os requisitos legais. O formato digital é plenamente válido quando garante:

  • Integridade do conteúdo
  • Autenticidade do emissor
  • Acesso exclusivo e seguro pelo trabalhador
  • Arquivo por pelo menos cinco anos
  • Consentimento formal do trabalhador

A entrega digital mal executada, como o envio informal por mensagens ou e-mails não registados, pode ser juridicamente considerada como não entregue.

Quais documentos complementares devem acompanhar o recibo?

Embora o recibo de vencimento seja o documento principal, pode ser acompanhado de:

  • Comprovativo de transferência bancária
  • Relatório de processamento salarial mensal
  • Declaração anual de rendimentos (para efeitos de IRS)
  • Declaração de retenções na fonte, quando aplicável

Empresas organizadas mantêm esses documentos integrados numa pasta mensal digital por trabalhador.

Porque é que a entrega do recibo não deve ser negligenciada?

Empresas que negligenciam a entrega de recibos:

  • Perdem confiança junto dos trabalhadores
  • Comprometem pedidos de crédito ou subsídios públicos
  • Correm risco de requalificação de vínculos informais
  • Enfrentam maior exposição a fiscalizações e litígios

Além do impacto financeiro das coimas, a falta de profissionalismo na gestão salarial pode dificultar a retenção de talento e prejudicar a reputação da empresa no mercado.

Recomendações da CRN Contabilidade para empresas em 2026

  • Formalize a entrega dos recibos com um sistema seguro e auditável
  • Recolha e arquive o consentimento do trabalhador para o formato digital
  • Integre o processo com o seu software de contabilidade ou folha de salários
  • Automatize alertas de entrega mensal para evitar falhas humanas
  • Em auditorias internas, verifique se todos os recibos foram efetivamente entregues
  • Em caso de dúvida, recorra ao apoio de um contabilista qualificado

A CRN Contabilidade apoia empresas de todas as dimensões na estruturação de processos salariais seguros, legais e eficientes. A nossa equipa analisa  o seu fluxo atual de entrega de recibos e propõe melhorias práticas adaptadas à realidade do seu negócio.

Se deseja digitalizar os recibos de vencimento, rever os seus modelos contratuais ou evitar problemas futuros com a ACT, fale connosco hoje mesmo. Utilize o WhatsApp flutuante disponível aqui no site e seja orientado por um contabilista que entende o seu setor, o seu volume de pessoal e as obrigações legais em vigor.

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